Como prometido...
- Não sei... Ele apenas, Saiu.
Ao falar isso Janne caiu de joelhos e começou a chorar.
Mãe o que esta acontecendo? Fale algo!
Os pedidos dela não fizeram efeito, Janne continuou ali no chão, de joelhos, chorando, impotente. Franci viu que precisava fazer algo, foi nesse momento que Janne percebeu como sua filha era madura, forte.
Oh meu Deus, os anos passaram e eu não percebi, mas agora nossa Franci, nossa pequena Franci, já era uma mulher. Quanta coisa eu ainda não havia percebido? - Pensa Janne.
Franci com um pouco de esforço consegue carregar sua mãe até seu quarto, onde a deita, ela precisava fazer algo por sua mãe, e sabia disso, e a primeira coisa que veio a sua cabeça foi ligar para seu pai.
- Vai qual é mesmo o número... 9925... não não, 98253121, isso!
Ela pega o telefone e disca o número.
'- Cliente não disponível no momen...'
Droga! - Fala Franci jogando violentamente o telefone em cima da cama.
Ela não sabia mais o que fazer, a única coisa que vem a sua mente foi fazer sua mãe dormir. Foi até o banheiro e abriu a caixinha de remédios como costumavam chamar uma pequena caixa de madeira que Jack pregou no banheiro.
Calmante... calmante.
Fala Franci passando os olhos por vários remédios que tinham la.
Ah perfeito.
Finaliza Franci vendo que não tinha nenhum calmante la. Felizmente ao voltar para o quarto ela repara que sua mãe tinha adormecido sem ajuda dos remédios.
Nossa você está fedendo Francielle.
Ela pensa alto. Se dirigi para seu quarto onde ao escolher uma roupa para se trocar após o banho começa a pensar no que havia ocorrido a poucos instantes. Ela sabia que seu pai não gostava de sair de casa, com exceção das sexta-feiras. Mas no momento ela não queria pensar em nada, pegou uma roupa qualquer e foi em direção ao banheiro. Ao passar pelo corredor um barulho a fez parar.
Mãe?
Não obteve resposta.
Quem esta ai?
Novamente não obteve resposta. Começou a andar na direção do quarto de sua mãe, que era de onde o barulho tinha vindo.
Estou avisando, eu não estou sozinha em casa.
A porta do quarto de sua mãe estava entreaberta, ela lentamente a abre, e repara que está tudo bem, não havia ninguém no quarto, apenas o copo d'água que ficava ao lado da cama, estava no chão, provavelmente sua mãe havia batido com o braço enquanto dormia.
Isso realmente mecheu com você Francielle Bronks.
Pensou ela em voz alta. Após levantar o copo do chão, ela finalmente foi tomar seu banho. Somente após se despir ela reparou como estava fazendo frio, o vento gélido da noite de Julho batia na janela, produzindo um som estranho, ela nunca entendeu, mas aquele som sempre a acalmou, lhe dava uma sensação de leveza, como se aquele momento fosse somente dela, onde o vento produzia aquele belo recital, e o mundo parava. Ela ficou um bom tempo apenas ouvindo o barulho do vento batendo na janela, até que uma fina chuva começou a cair, e ela foi obrigada a fechá-la.
O mundo não parou para você ouvir o vento.
Exclama ela ao fechar janela.
Ao entrar no box ela pisa em uma poça d'água e escorrega, felizmente ela consegue se segurar evitando uma queda, que poderia ter feito bons estragos, o mundo então começa a girar e ela se vê há com sete anos, no seu primeiro dia de aula.
“- Vamos, pode entrar, nos prometemos estar te esperando aqui quando você sair.
Franci como qualquer criança nos seus sete anos de idade temia o primeiro dia de aula, era um medo estranho, um medo que os pais possam simplesmente desaparecer após se entrar na escola.
Não pai, por favor!
Vamos querida. Você vai conhecer novos amiguinhos, vai brincar muito.
Franci olha para escola e ve muitas crianças correndo, felizes, e pensa que talvez aquilo não possa ser uma idéia tão ruim.
Vocês prometem me esperarem aqui?
Claro! Eu e a mamãe prometemos estar aqui nesse mesmo lugar quando você sair ao acabar a aula.
Está bem. Eu vou.
Franci beija-os, pega sua mochila e começa a andar na direção da escola.
Tchau! - Grita os dois quase em um coro.
Pouco antes de entrar no portão ela sente um sentimento de solidão, larga sua mochila e corre de volta para eles, e seu pai a recebe com um grande abraço. Ela se sente reconfortada e fala em seu ouvido:
- Tchau não... Até mais!”
